sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Ser


Nunca pensei que seria assim
depois de tantas personalidades
apenas sou eu, e mais ninguém
já fui muitos, mas meu corpo clama por ser apenas um
e agora quem escolher?
Nem sei o que quero ser.
Sempre agradei a todos
e agora nem consigo me agradar
não sei que personalidade tomar,
sou o que sou, uma pequena pessoa que não sabe o que é
mundo crueu este que me meti
apenas, vários em um.
podem dizer que as mascaras caem
mas eu acredito que as pessoas cansam de ser varias
e se definem apenas em uma
não por demonstrar quem era
mas, sim para mostrar quem é agora
no passado fui muitos, e mostrei que era perfeito a todos,
mas no fundo o vazio me toma e apenas descobri
que não sei quem sou.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vileza


Qual utilidade da pérola?
Qual o valor de pequenas pedras
Invulneráveis ao choque e ao tempo?
Enfeitar pescoços pálidos,
Exaltar a riqueza do não-labor?
O sangue derramado pelos diamantes
É o que os torna tão gloriosos?
Nisso baseia se a riqueza:
Comércio de almas

O que contribui mais para a vida?
Quilos de pérolas ou de esterco?
Diamantes ou carvão?

Vamos estocar riquezas
Fortificar os nossos castelos
Com a mais forte pedra
Nossos soldados vestirão rubis
E esmagarão aqueles que se alimentam do gado
Subjugarão os plebeus e sua
Insensata riqueza orgânica
Nossos escravos tão numerosos
Atolar-se-ão nos rios e nas minas
Para alimentar-nos, fortalecer-nos
Assim vamos crescer

A fornalha é nossa genitora
Do pó fomos formados
Ouro é o que queremos nos tornar
Abriremos mão de nossas almas
Seremos postos juntos no forno
E com alegria nos tornaremos
Como a mais letal das armas
Multiplicaremos e encheremos
Esse pobre mundo e o dominaremos
Nada na terra ou no céu ou na água
Ousará a pôr-se em nosso caminho!
                                         O Escritor

Anonimalia
















Passo e olho o máximo de rostos possíveis
Passam olhos vistos por um olhar invisível
Contato a solidão ao ver e não lembrar
Provo a inexistência numa gota de lágrima
Não uma gota triste ou comovida
Mas apenas aquela friamente comum
A que umedece os olhos introspectivos
Um frio vem desses rostos imemoráveis
Que não se pode contar, cantar, contar
E não se conta, e eu conto
(Gosto do que não se faz mais)
Fora de moda e de questão e contexto
Pela estrada, afora o sofrimento
Aflora de vez em quando um amor
E morre a flor e a palavra e os olhos
Nesse jardim apodrecido, logo depois
Viverão alguns besouros
Nas cores frias de todos esses olhares
                                               O Escritor