Passo e olho o máximo de rostos possíveis
Passam olhos vistos por um olhar invisível
Contato a solidão ao ver e não lembrar
Provo a inexistência numa gota de lágrima
Não uma gota triste ou comovida
Mas apenas aquela friamente comum
A que umedece os olhos introspectivos
Um frio vem desses rostos imemoráveis
Que não se pode contar, cantar, contar
E não se conta, e eu conto
(Gosto do que não se faz mais)
Fora de moda e de questão e contexto
Pela estrada, afora o sofrimento
Aflora de vez em quando um amor
E morre a flor e a palavra e os olhos
Nesse jardim apodrecido, logo depois
Viverão alguns besouros
Nas cores frias de todos esses olhares
O Escritor

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